quarta-feira, 8 de julho de 2009

Modernidade e Identidade


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Feiras do Livro de Lisboa e Porto - Análise da qualidade da Marca Gráfica
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Caso de Estudo: Feiras do Livro - Lisboa e Porto
País: Portugal
Data: 2009
Categoria: Eventos
Créditos: Inf. não disponível

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Introdução
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Organizadas pela APEL - Associação Portuguesa de Editores e Livreiros (Associação sem fins lucrativos e com funções de interesse público e agencia nacional dos Sistema Internacional Standard Book Number - ISBN), em parceria com a Direcção Geral do Livro, das Bibliotecas, Plano Nacional de Leitura e Câmaras Municipais, as Feiras do Livro de Lisboa e do Porto apresentaram novos pavilhões para os seus expositores (editoras, alfarrabistas, livrarias e diversas instituições), assim como uma nova Identidade Visual, comum às duas Feiras. Segundo o Presidente da APEL, Rui Beja o balanço foi bastante positivo, “proporcionando uma completa inversão relativamente à tendência regressiva, tanto de participantes como de visitantes, que se constatava nos últimos anos”, acrescenta Avelino Soares, Director da Feira do Livro do Porto, realçando a transferência da feira do Livro do Porto para o seu local de origem - Avenida dos Aliados.
Em várias comunicações de imprensa que pesquisamos, são sempre destacadas frases que contém as palavras modernidade, moderno ou mesmo a palavra design, surgindo actualmente como uma tendência e um sinónimo de qualidade:

“marcada por pavilhões modernos (...) carácter de modernidade que merece...”

Verificamos que o mercado, a sociedade e o mundo em geral, está saturado de imagens visuais inseridos em movimentos globalizantes que tendem a suprimir as diferenças de uma Identidade maior. Contudo, os factores institucionais como é o caso de eventos, deviam superar todas as questões de índole económica, técnica, comercial, etc., e ter uma conduta de carácter público, logo com funções e responsabilidades essenciais ao desenvolvimento social e cultural do país. Deixaremos apenas esta questão esboçada, direccionando agora o nosso estudo para uma análise mais técnica e morfológica das marcas gráficas adoptadas este ano para as Feiras do Livro do Porto e Lisboa, de modo a tentar responder a dados mais concretos relativos à Identidade Visual comparativamente à realidade dos Signos Identificadores Gráficos analisados.
Qual o verdadeiro significado da utilização de uma linguagem “modernista” quando a Identidade (primeira essência de uma Instituição ou Evento) nos parece inadequada e dotada de graves incapacidades de Identificação Visual?

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Os Signos Identificadores
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Análise da Identidade Verbal
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A Identificação ou denominação do evento manteve a utilização do nome descritivo que define de uma forma sintética os atributos da Identidade do evento (Feira do Livro de Lisboa e Feira do Livro do Porto) e do nome toponímico porque faz alusão ao lugar de origem ou área de influência do evento (Lisboa e Porto).

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Análise da Identidade Visual
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Marca Gráfica
Assumindo-se como a versão Gráfica adoptada por estes eventos os logótipos inserem-se na classificação de marcas gráficas mistas pois utilizam logótipos tipográficos estandardizados (família tipográfica já existente) em conjunto com símbolos abstractos com formas rectangulares sobrepostas (conotando sensações de algum movimento dado pela sobreposição das formas) mas de alguma forma icónicos pois poderão remeter a uma imagem ou referente reconhecível pelos observadores devido às suas semelhanças formais (livros).
Acentua-se como denominador comum nos dois eventos a utilização do mesmo símbolo e a mesma Identidade Verbal (alteração apenas do nome da cidade onde se realiza o evento). Ver Fig. 1 e 2.



Fig.1 – Marca Gráfica da “79ª feira do Livro do Porto”



Fig.2 – Marca Gráfica da “79ª feira do Livro de Lisboa”


Cores
Mantendo ao mesmo símbolo e a mesma Identidade Verbal (alterando-se apenas a designação da localização - Porto ou Lisboa), foram adoptadas as cores azul, laranja, verde e um vermelho nas Feira do Livro de Lisboa enquanto que na Feira do Livro do Porto foram adoptadas as cores azul, lilás e dois tipos de verdes. Apesar da utilização das mesmas formas, os símbolos distinguem-se através das transparências e das alterações cromáticas enquanto que na Identidade verbal e como já referimos a designação de “79ª Feira do Livro” mantêm-se em ambos os casos a preto enquanto que a designação “Porto” utiliza a cor azul, enquanto que “Lisboa” adopta a cor vermelho.


Tipografia
A Tipografia utilizada é uma tipografia estandardizada (família tipográfica já existente) sem serifas.

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Conclusões
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Um dos objectivos da Identidade Visual de uma Instituição ou neste caso de um evento, é o de comunicar eficazmente com os seus públicos, devendo garantir que os seus Signos Identificadores Gráficos, quando aplicados nos diversos produtos de comunicação, não percam a sua legibilidade e por sua vez a sua eficácia comunicativa. Partindo destas premissas detectamos de imediato alguns problemas na marca gráfica realizada para estes dois eventos.
Reconhecendo o Design como uma ferramenta fundamental para a eficácia da comunicação, desenvolvemos a análise da Marca Gráfica da “79 Feira do Livro” através da utilização de alguns parâmetros do modelo teórico desenvolvido por Norberto Chaves e Raul Belluccia no livro “La marca corporativa. Gestión y diseño de símbolos y logótipos”.

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Parâmetros de avaliação dos Signos Identificadores Gráficos
Marca Gráfica analisada: 79ª Feira do Livro do Porto e Lisboa
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1 - Qualidade Gráfica
Analisando qualitativamente os Signos Identificadores Gráficos desta marca gráfica (famílias tipográficas adoptadas, formas, elementos iconográficos, aspectos cromáticos, texturas, formas, etc.), detectamos de imediato um grau de desequilíbrio formal, nomeadamente nos elementos tipográficos. A utilização da verticalidade da palavra “DO” e da letra “a” sobreposta ao símbolo e ao número “9”, e o espaçamento das palavras “Porto” e “Lisboa” prejudicam a leitura e a eficácia da marca. A utilização da “caixa alta” e da “caixa baixa” parece-nos igualmente desadequada dada a sua interligação. Relativamente aos aspectos cromáticos, não conseguimos perceber as razões para a utilização de 5 cores (preto, azul, dois tipos de verde e lilás) com a aplicação de transparências e sobreposições das formas (símbolo), originando ainda mais cores. Analisando a marca gráfica no seu geral efectuamos um pequeno exercício, semi-cerramos um pouco os olhos e percebemos de imediato que a mesma não tem legibilidade. Assinalamos essa falta de legibilidade nas aplicações dos diversos produtos de comunicação, nomeadamente nos cartazes.
A eficácia dos Signos Identificadores Gráficos apenas é atingida quando se gerem os significados e apenas desse modo, a Identidade (o que a Instituição é objectivamente) se converte adequadamente em Imagem (o que cada um pensa que é). Neste ponto a Imagem não é um fim em si mesmo, mas um valor do mesmo modo que a Identidade não é um fim mas a essência que a comunicação deve converter num instrumento de gestão estratégica.
De acordo com esta análise concluímos que o valor qualitativo desta marca gráfica é negativo. A responsabilidade pública como ponto de convergência do discurso de comunicação Institucional não é consistente. Preconizamos a necessidade de reforçar a ideia que a Identidade começa por um signo linguístico (o nome) e para alcançar condições de singularidade, emoção, pregnância, etc., o nome verbal transforma-se posteriormente em signo visual.

2 - Suficiência
Devendo existir o máximo ajuste entre o reportório dos Signos Identificadores Gráficos e as necessidades reais de identificação, numa análise relativa à suficiência detectamos um excesso de elementos gráficos criando dificuldades de leitura e logo de interpretação de significados.

3 - Tipologia
A tipologia desta marca gráfica insere-se numa marca gráfica mista (símbolo e logótipo), contudo e como já referimos a conjugação dos diversos elementos que o constituem é desadequada e não constitui uma identificação concreta, distinta e aconselhada para este tipo de evento.

4 - Inteligibilidade
Os aspectos semânticos de uma marca gráfica devem ser devidamente clarificados para que o tipo de interpretação pretendida seja coincidente com a intenção identificadora. Se o objectivo passa por uma intenção identificadora abstracta, o público deve descodificar uma mensagem abstracta. A inteligibilidade é inimiga da dúvida e da confusão. Se o objectivo do símbolo desta marca gráfica é ser representado pela imagem de livros, então seria importante que os seus públicos vissem e distinguissem os mesmos o mais claramente e rapidamente possível.

5 - Atracção
Após a análise dos dados anteriores nomeadamente as questões de legibilidade, morfológicas, cromáticas e dimensionais, achamos que a marca gráfica adoptada este ano para as Feiras do Livro do Porto e Lisboa não teve a capacidade de atrair a atenção dos seus públicos.

Fontes
Chaves, Norberto, Belluccia, Raul (2006). La marca corporativa. Gestión y diseño de símbolos y logótipos. Buenos Aires: Paidós. (Edição original 2003)
http://www.apel.pt
http://feiradolivrodelisboa.pt
http://feiradolivrodoporto.pt

sexta-feira, 5 de junho de 2009

RTVE - Nova Identidade Visual e Corporativa



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Caso de Estudo: RTVE – Rádio Televisão Espanhola
País: Espanha
Ano de mudança: 2008
Categoria: Audiovisuais
Créditos: SUMA

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Matriz de Análise do Sistema de Identidade Visual
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Motivos Estratégicos
Realização de um reposicionamento estratégico da Identidade Visual e Corporativa da Instituição

Motivos Funcionais
Redefinição da eficácia da Identidade Visual ao nível do Design
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Estratégias de Identificação
Mudança de Logótipo - Predomínio de palavras
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Elementos do Sistema de Identidade
Sistema Visual
Alteração da Tipografia
Alteração dos elementos Gráficos
Alteração da paleta Cromática
Sistema Verbais
Não se detectou alterações
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Arquitectura da Marca
Redefinição da estrutura de um Sistema Misto para um Sistema Endossado

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História
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A Rádio Televisão Espanhola (RTVE), líder nas audiências Nacionais, gere a Rádio e a Televisão Públicas Espanhola. A partir de 2007 e através de algumas mudanças internas, a Instituição sentiu a necessidade de mudar a sua estrutura através de uma nova estratégia de Identidade Corporativa, que pudesse adaptar às profundas transformações no mercado áudio visual e preparada para o futuro. O objectivo principal seria o de estabelecer para com os seus públicos um vínculo afectivo, tentando mudar as barreiras e a imagem que algumas audiências (especialmente as mais jovens) tinham sobre os produtos da RTVE a da sua Marca.
O projecto de Design levado a cabo pela SUMMA, teve como estratégia e objectivo expressar através da nova Identidade Visual Institucional, uma Imagem moderna, inovadora, responsável, afectuosa, mais próxima e profissional para com os seus públicos (independentemente da sua ideologia, língua ou costumes).

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Os Signos Identificadores
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Nomes
A Identificação ou denominação da Instituição manteve a definição sintética dos atributos da Identidade da mesma (Rádio Televisão Espanhola) assim como utiliza na sua Marca Gráfica a construção através das iniciais (RTVE) os nomes de Contracção.

Logótipos
Surgindo como o segundo plano de identificação de uma Instituição, o Logótipo assumiu-se como a versão Gráfica adoptada por esta Instituição através da utilização de um Logótipo Tipográfico Exclusivo (Tipografia exclusiva e desenhada exclusivamente para o efeito). Acentua-se como denominador comum nas 3 marcas o “e” de Espanha tornando a Identidade Visual coerente e unificada (Ver Fig. 1)


Fig.1- Esquema representativo da mudança da Marca Gráfica da Instituição

Cores
Com o objectivo de manter a conexão emocional para com os seus públicos, a nova Identidade Visual abandona as formas quadradas e estáticas utilizadas nos seus signos identificadores anteriores, transmitindo agora mais dinamismo e maior proximidade com a era digital. Tendo como um dos objectivos principais a “transmissão” de luz nas suas marcas gráficas, o esquema cromático foi desenvolvido de forma a criar sempre um efeito de movimento, flexível, que cresce e se adapta aos inúmeros formatos e aplicações (Ver Fig. 2).


Fig.2- Representação do Esquema Cromático da nova Marca Gráfica

Tipografia
RTVE Officina foi a Tipografia desenhada (tanto em Castelhano como em Catalão) especificamente para a nova Identidade Visual da Instituição, tanto para utilizações em ecrã como para produtos de comunicação impressos. As suas formas arredondadas permitem que a luz flua facilmente através das animações desenvolvidas para ecrã e visualizamos uma linguagem digital mais adequada aos objectivos da Identidade da Instituição - aproximação aos seus públicos (ver Fig. 3).


Fig.3- RTVE OFFICINA - Tipografia e aplicações em Economato da Instituição

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Estrutura da Identidade Visual Institucional
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A RTVE conta com 8 canais de televisão, 6 emissoras de rádio e um novo portal de Internet, nesse sentido foi desenvolvida uma estrutura de Identidade Visual Institucional Endossada, abandonando a antiga estrutura (Mista), tirando partido de um naming fortemente ligado e dependente e da utilização da mesma tipografia e do mesmo grafismo unificam e estruturam toda a arquitectura da Identidade Visual. (Ver Fig. 4)


Fig.4- Estrutura de Identidade Visual Endossada


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Sistema de Identidade Visual Institucional
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Passando de uma estratégia “pull” (as televisões ditam os seus conteúdos) para uma estratégia “push”, próprio da era digital no qual são as audiências que decidem o que querem ver, quando e onde pretendem consumir os produtos audiovisuais, produziu-se objectivamente uma mudança significativa na nova Identidade Visual e Corporativa de toda a Instituição. A consistência (pela primeira vez as marcas gráficas têm uma Identidade Visual coerente e unificada sendo o “e” de Espanha o denominador comum das 3 marcas), o movimento (a RTVE é agora uma “moving brand”. As marcas gráficas aparecem sempre em movimento, a Identidade adapta-se e move-se, está viva. Pretende estar próxima com a audiência e ao mesmo tempo tecnológica e moderna) e a luz (carece de forma, evolui e cria um sistema flexível que cresce e se adapta aos inúmeros formatos e aplicações) fazem agora parte de todo o Sistema de Identidade Visual da Instituição (Ver Fig. 5,6,7 e 8).



Fig.5- Sistema de Sinalização interior e exterior da RTVE



Fig.6- Exemplos das Marcas Gráficas para aplicações principais em ecrã




Fig.7- Aplicações principais das Marcas Gráficas em ecrã

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Fig.8- Vídeo de apresentação das mudanças produzidas pela nova Identidade Visual



Fontes: foroalfa.org

quarta-feira, 3 de junho de 2009

Identidade Regional - Bilbao



Título: Identidade Regional: Análise dos Signos Identificadores da cidade de Bilbao
Data: 03 de Junho de 2009

Segundo Pepe (2007), falarmos de Identidade Regional leva-nos a relacionar a problemática da globalização. Este mesmo autor refere que a globalização trata da mundialização do capitalismo, de uma determinada visão do mundo e que prejudica os fundamentos de culturas particulares, das diferenças, para impor segundo os interesses de um mercado global, um discurso único.

Sabemos que o conceito de Identidade Corporativa pode ser definido como um conjunto de atributos que tornam uma empresa única e pode manifestar-se ao público de várias maneiras: através das marcas gráficas da empresa, das suas comunicações (internas e externas), ambientes de produção ou atendimento, no modo como se dirigem aos seus públicos, através das suas apresentações, material impresso, nome, portfólio de produtos ou serviços, contribuindo dessa forma para a construção do imaginário colectivo dos seus públicos, da Imagem Corporativa.

Actualmente as estratégias desenvolvidas para a criação de marcas de países, cidades, regiões ou marcas de Instituições Públicas, é feito do mesmo modo que se desenvolvem marcas corporativas (empresas) privadas, abandonando muitas vezes diversas questões históricas ou culturais que deviam fazer parte dos seus discursos identitários. As Instituições são agora vistas como empresas competindo num mercado global.

Ao realizar um trabalho de Identidade Visual Regional, apela-se agora a questões competitivas, abandonando valores fundamentais de cultura que deviam ser defendidos. Dentro deste contexto, e na óptica do Design de Comunicação Visual pretendemos neste trabalho favorecer ou apenas abordar algumas questões que possam contribuir para um pensamento mais profundo sobre a problemática da Identidade Visual Institucional através do reconhecimento da palavra “origem” como elemento gerador de valor (Pepe, 2007).

A este respeito, a proposta pode partir do conceito de Roland Robertson através do neologismo “Glocalização”, fundindo as palavras globalização e localização, integrando e articulando o Local e o Global, combinar homogeneidade com heterogeneidade, Universal com particular, desenvolvendo uma combinação que parta do regional mas combinado com elementos próprios da globalização (Pepe, 2007).

Esta ideia dos valores históricos ou culturais podem ser por outro lado perigosos, pois corremos o risco de cair em tradicionalismos sem fundamento, levando a desenvolvimento de trabalhos de Identidade frágeis e temporais. Nesse sentido a proposta será sempre o de uma investigação profunda, percebendo se os valores históricos e culturais não são apenas imaginativos ou ilusórios. Consideramos o Design de Comunicação imprescindível na configuração de Identidades Visuais Regionais, Nacionais ou Institucionais e nesse sentido deve ser um trabalho sério e responsável.

O Design de Identidades Regionais deve por isso fazer alusão a elementos culturais, geográficos e sociais que possam fazer a diferenciação de uma região da outra. Ainda segundo Pepe (2007) a Identidade é memoria colectiva, compartida por toda a sociedade tendo em conta que o presente não deve repetir o passado mas sim contê-lo. Ao ignorar-se os contextos históricos, adulteramos e distorcemos a Identidade e por consequência a Imagem percebida pela sociedade.

Falarmos então de Identidade Regional e focalizando-nos agora na cidade de Bilbao, entendemos que entramos imediatamente em conflito com a diversidade dos elementos visuais vigentes.
Por outro lado e apesar dessa diversidade própria da homogeneização dos efeitos da globalização, localizamos elementos visuais identitários comuns e unitários instaurando uma Identidade colectiva estável, individualizada, unificada e sistematizada. Consideramos que a respeito desta temática, os Signos Identificadores Visuais ou estritamente Gráficos têm a capacidade de gerar multi-valências, de expressar vários significados, criando opiniões mais ou menos positivas para com os seus receptores.

Sabemos também que é impossível comunicar os elementos identitários apenas através de meios visuais pois os seus receptores de forma consciente ou inconsciente absorvem as diferentes mensagens através dos seus diferentes sentidos.
A transmissão dessa imagem, feita através de Signos, projectam por sua vez diferentes valores (eficácia, modernidade, tecnologia, tradição, etc.). Podemos sintetizar essa projecção em 3 momentos progressivos:

1 - Percepção, directa ou indirecta do indivíduo com
o produto, serviço, marca, etc.;
2 - Contacto do indivíduo com o produto ou serviço;
3 - Contacto e sucessão de percepções do indivíduo
com os produtos ou serviços, através do tempo.

Focalizando alguns aspectos sobre Identidade Regional e Institucional, aproveitamos uma deslocação a Bilbao durante o passado mês de Maio, para recolhermos e analisarmos alguns Signos Identificadores Visuais e outros estritamente Gráficos que pudessem contribuir para a nossa investigação sobre Identidade Visual Institucional. Visualizamos diversos exemplos de Signos Identificadores Gráficos Institucionais como é o caso da Identidade Visual da cidade de Bilbao, Universidade do País Basco, Universidade de Deusto, Metro de Norman Foster e Otl Aicher, toponímia da cidade, etc., entre outros Identificadores Visuais como do Museu Guggenheim de Frank Gehry, diversas pontes que atravessam a ria, Aeroporto de Calatrava, fachadas dos edifícios medievais do Sec. XIV em “Casco Viejo”, o Palácio de Congressos, etc.
Entendemos que Bilbao é neste momento um importante centro Europeu de Arte, Arquitectura Moderna e Contemporânea, e que os Signos Identificadores vigentes têm sido fundamentais e contribuído de uma forma eficaz para o reconhecimento desta cidade ao nível mundial.

Após este contacto com os diversos serviços, produtos, marcas, etc., e sem entrarmos em campos ou ideologias políticas da região, concluímos que a Imagem percebida é objectivamente esclarecida e que o discurso da sua Imagem actua e regula de uma forma consciente o reportório de significados, transmitindo graus de identificação, diferenciação, associação e memorização do discurso de Identidade Regional.
Vejamos alguns dos muitos Signos Identificadores da cidade de Bilbao:



Fig.1 Signo Identificador Gráfico da cidade de Bilbao


Fig.2 Signo Identificador Gráfico da cidade de Bilbao


Fig.3 Signo Identificador Gráfico do Metro de Bilbao desenvolvido por Otl Aicher


Fig.4 Signo Identificador Gráfico do Metro de Bilbao


Fig.5 Signo Identificador Gráfico do Metro de Bilbao


Fig.6 Imagem interior do Metro de Bilbao do Arquitecto Norman Foster


Fig.7 Signo Identificador Visual - Museu Guggenheim


Fig.8 Signo Identificador Gráfico - Orquestra Sinfónica de Bilbao


Fig.9 Placa Toponímica da cidade de Bilbao


Fig.10 Signo Identificador Gráfico - Museu Vasco


Fig.11 Signo Identificador Gráfico - Universidade de Deusto


Fig.12 Fachadas dos edifícios de "Casco Viejo"


Fig.13 Signo Identificador Gráfico - "Diputación Foral de Bizkaia"


Fig.14 Signo Identificador Gráfico - Teatro Arriaga


Fig.15 Ponte de Calatrava

Fonte: Pepe, Eduardo Gabriel (2007). Identidade regional. El diseño aborigen como elemento identitário. Buenos Aires: Redargenta

Apresentação do Projecto de Doutoramento em Design



Actividade: Seminário
Título: Apresentação do Projecto de Doutoramento em Design
Local: Faculdade de Belas Artes da Universidade do País Basco - Bilbao
Data: 07 de Maio de 2009


Após celebração de um protocolo bilateral (Programa Erasmus) entre a Universidade do Algarve (Portugal) e a Universidade do País Basco (Espanha), efectuamos uma visita à Faculdade de Belas Artes da UPB em Bilbao no passado mês de Maio. Recebidos pelos Professores Eduardo Herrera e Leire Fernandez do departamento de Design e após visita às instalações da Faculdade e algumas reuniões sobre a temática do ensino do Design, apresentamos o nosso projecto de Doutoramento (Investigação em Design). Focalizado nas metodologias adoptadas, apresentamos o nosso objecto de estudo, questões e hipóteses de investigação, desenvolvimento do trabalho, calendarização e actividades que têm sido desenvolvidas (participação em conferencias, seminários, artigos, etc.), promovendo os conceitos de Identidade Visual Institucional como um factor fundamental para a gestão estratégica e organização das Instituições Públicas. Esta apresentação foi dirigida aos alunos do Curso de Doutoramento em Design da FBA da UPB.


Fig.1 Instalações da Faculdade de Belas Artes da Universidade do País Basco


Fig.2 Instalações da Faculdade de Belas Artes da Universidade do País Basco


Fig.3 Instalações da Faculdade de Belas Artes da Universidade do País Basco


Fig.4 Instalações da Faculdade de Belas Artes da Universidade do País Basco

segunda-feira, 1 de junho de 2009

Conferência de Design Gráfico- ESC-TEJO


Tema: Identidade Visual e Identidade Corporativa

Decorreu no passado dia 26 de Maio no Auditório da Escola Secundária de Cacilhas-Tejo uma conferência dedicada à temática da Identidade Visual e Identidade Corporativa. Organizada pelas professoras Paula Penha e Tânia Matos, esta conferência contou com os oradores António Lacerda da Universidade do Algarve-ESEC e Daniel Raposo do Instituto Politécnico de Castelo Branco.



Doutorandos e Investigadores sobre a temática da Identidade Visual Corporativa, as suas apresentações perante os alunos e professores do curso de Design Gráfico desta Escola, incidiu sobre a importância da história, do Design, da Programação de Sistemas de Identidade Visual, dos Signos de Identificação Corporativos e da Imagem. Daniel Raposo desenvolveu e apresentou um percurso histórico fundamental para a compreensão dos processos de Identificação Visual, através da explicação dos antecedentes da Identidade Corporativa, de conceitos relacionados e da Identidade Visual Corporativa. Posteriormente António Lacerda incidiu a sua apresentação sobre os valores que os Signos Identificadores Projectam (eficácia, modernidade, tradição, poder, etc.), na síntese e progresso dessa projecção e no modo como podemos controlar as percepções visuais dos receptores destas mensagens.







Através de programas específicos e especializados, o Designer tem um papel fundamental no controlo e selecção dos significantes que melhor transmitam os valores corporativos, utilizando códigos socialmente vigentes,
Nesse sentido, António Lacerda abordou a questão da importância das intervenções técnicas no Design de Sistemas de Identidade Visual Institucional através das etapas de programação (Investigação e Análise, Design, Implementação e Controlo). Por último o investigador apresentou vários exemplos de diferentes tipos de Signos de Identidade (Nomes, Tipografia, Cores, Logótipos, etc.), classificando-os morfologicamente, apresentando diversos exemplos e alguns casos de estudo.

Fotografias de Tânia Matos da ESC-TEJO

quarta-feira, 20 de maio de 2009

Identidade Visual da Air France


Lançada em Fevereiro deste ano, a nova Identidade Visual da Air France pretende afirmar-se com os valores de modernidade, elegância e simplicidade.
O trabalho a cargo da Brandimage consistiu no design de uma tipografia exclusiva, no redesign do logótipo e dos símbolos utilizados pela companhia.
Sendo um nome descritivo, o mesmo passou a ser escrito apenas numa palavra: AIRFRANCE, ao contrário do anterior AIR FRANCE.

O logotipo tipográfico exclusivo foi concebido através de uma família tipográfica exclusiva e desenhada especialmente para o efeito.



O símbolo abstracto, não representando qualquer objecto ou conceitos automaticamente reconhecidos, foi reduzido a apenas uma forma conotando algumas sensações de movimento e suavidade. Foi ainda criado um monograma (AF) que poderá ser utilizado em determinadas ocasiões. A Identidade cromática manteve as cores nacionais da bandeira francesa (Azul, branco e vermelho).

O Hipocampus ou Cavalo Marinho, símbolo icónico evidente do mundo real e imaginário, afectivo e que sempre fez parte da história da companhia foi também redesenhado, estilizando as suas formas anteriores, funcionando agora como um a espécie de filigrana em alguns suportes de comunicação.




A nova Identidade Visual pretende exprimir os valores de uma companhia com orgulho da sua Identidade Nacional e dos seus valores, apesar da fusão com a KLM, e de ser considerada uma marca mundial dos quais mais de metade são clientes estrangeiros, pretendendo exprimir a excelência desta Instituição.

segunda-feira, 6 de abril de 2009

4TH INTERNATIONAL CONFERENCE ON HIGHER EDUCATION MARKETING

2 de Abril, 2009 - Universidade do Minho - Guimarães - Portugal



Realizou-se durante os dias 01 e 03 de Abril no Centro Cultural Vila Flor, em Guimarães, o 4º Congresso Internacional "On Higher Education Marketing", promovido pela Universidade do Minho. Paralelamente realizaram-se diversas conferências sobre a temática do Marketing e um Workshop "On Higher Education Marketing-Trends in Global Competitiveness on Design Higher Education".
Este evento contou com a presença de Paul Gibbs (Middlesex University-UK), Henrique Cayatte (Presidente do Centro Português de Design), Antoni Remesar (Universidade de Barcelona), Teresa Novais (Ordem dos Arquitectos) e Rosemary Stamp (Stamp Consulting Ltd, UK) como "Key note Speakers".
Foram abordados diversos temas relacionados com os novos paradigmas das Instituições de Ensino Superior (Processo de Bolonha, Competitividade, comunicação e marketing, programas de mobilidade, metodologias e investigação em Design, Branding, Globalização e os novos modelos de comunicação nas Universidades Públicas Portuguesas).
Foi no Workshop "On Higher Education Marketing-Trends in Global Competitiveness on Design Higher Education", que se discutiu a importância do Design e da investigação nesta área, para o desenvolvimento, inovação e competitividade destas Instituições.


António Cunha (Escola de Engenharia da Universidade do Minho) reforçou a ideia de "trazer o Design para a Agenda", enquanto que Antoni Remesar incidiu a sua comunicação nas diferenças entre o Design para os serviços e o Design para os Produtos Industriais e nas diferenças dos (Cidadãos-Users-Consumidores). De facto esta ideia de Remesar reforça a nossa reflexão sobre o modo como o Design é desenvolvido e sobretudo gerido nas Instituições de Ensino Superior Público Nacionais. Um usuário tem um papel diferente de um consumidor de produtos - um usuário têm direitos enquanto cidadão. Posteriormente Henrique Cayatte abordou os temas relacionados com a problemática da educação e do ensino na sociedade contemporânea, o Sistema de Bolonha e os comportamentos cruzados das diferentes Instituições de Ensino Superior na adequação dos seus cursos.


Foi a partir destas participações que se deu início às apresentações dos diversos papers apresentados para esta conferência. Rrepresentações da Universidade do Minho, Instituto Politécnico do Cávado e Ave, da Universidade Aberta e da Universidade do Algarve através do nosso paper intitulado: "European Staff Mobility Program: An Empirical experience in Communication Design", relatando a nossa experiência na Belarus State University durante o mês de Novembro de 2008 em Minsk.

Download do paper>>

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2009

Novo Centro de Design Hub Barcelona (Dhub).



O futuro Centro do Instituto de Cultura de Barcelona (Hub Barcelona), dedicado a promover um melhor conhecimento e compreensão sobre o Design, previsto para 2011, apresenta a sua nova Identidade Visual.
Depois de vários concursos e selecções entre vários estúdios responsáveis pela identidade verbal, o Centro adoptou o nome de "Disseny Hub Barcelona" (Dhub). A justificação para esta escolha remete a términos aeroportuários e informáticos em Inglês, já que é um Centro que distribui informação. Por outro lado os jovens hoje têm uma grande familiaridade com a linguagem tecnológica. Apesar desta escolha, a marca verbal definitiva ainda não está clara: "Dab", "Dub", Dehab"? Em relação à Identidade Visual, a mesma têm tido alguma polémica, dado que apesar da Instituição defender e representar os designers, ainda não mencionou o autor deste trabalho. Sabe-se apenas que a designer Anna Gasulla desenvolveu o sistema gráfico da HUB. Segundo a explicação da autora, a Identidade Visual do Centro pode adoptar uma multiplicidade de formas diferentes, sem perder a pertinência. Esta ideia parte da base do Centro ser um espaço aberto, contrariando a ideia de um Museu "fechado".




quarta-feira, 11 de fevereiro de 2009

Identidade Visual da Casa da Música




Construída em 2005 pelo arquitecto Rem Koolhaas, a Casa da Música, é neste momento um símbolo arquitectónico e cultural da cidade do Porto.
Foi através da utilização da forma do edifício que Stefan Sagmeister criou a nova Identidade Visual desta Instituição.
Para resolver as questões dos problemas de adaptação das cores de um logotipo nos diferentes produtos de comunicação, a marca gráfica muda a sua cor e forma consoante o contexto em que é utilizado. A forma do símbolo tem a forma do edifício visto de seis diferentes ângulos (quatro lados, o topo e a base). É através da utilização do software "Logo Generator", que a marca gráfica se adapta à imagem que o acompanha, tornando-a flexível e facilmente adaptável a qualquer situação.

Esta Identidade Visual foi considerada a melhor do ano pelo jornal norte americano "International Herald Tribune" por uma das mais conceituadas críticas internacionais de design - Alice Rawshtorn.


Fig. 1 - Edifício da Casa da Música - Porto - Portugal


Fig. 2 - Software - Logo Generator


Fig. 3 - Exemplos das formas criadas através do Logo Generator


Fig. 4 - Aplicações em cartazes promocionais